14
Jun
09

Metanóia

Metanóia

Metanóia

Tânia Batistela Torres, 21 anos, estudade de Engenharia Civil na UFRGS, se interessa por cinema, fotografia, teatro, música, gosta de frequentar pubs e cafés, de ler e de viajar. Estudou inglês, espanhol, informática e arte gráfica, teatro, jogou volei, dançou jazz, fez natação, leu sobre ideologias… Amou natação, teatro e música alternativa, quis ser revolucionária e também cursar Design Gráfico. Teve boas notas, e também cansou de tê-las. Na família passou por bons e maus momentos, lembra de boas viagens na infância e de problemas de saúde durante a adolescência, sempre teve bons amigos, ficou com meninos legais e teve namoros longos. Não consumiu qualquer tipo de droga por muito tempo por acreditar que isso representava algum tipo de fuga, daí tirou o interesse em buscar as mesmas sensações sem as drogas… Sempre se interessou por questões existenciais e então praticou e estudou o Espiritismo, filosofia e religião que herdou de seus pais, até os 18 anos. Buscou a felicidade em momentos que quando passavam a levavam junto. Procurou as verdades do mundo, buscou o que não era passageiro e não encontrou. Aos 19 anos achou ter experimentado o suficiente para a concluir que felicidade não existe. Sentiu-se culpada por ter a vida que muitos queriam e ter disistido dela. No dia 02/06/2007 esteve em Curitiba-PR no “Encontro com Deus”, por insistência de familiares, lá ouviu muita coisa e não acreditou, mas teve a certeza de que Jesus não havia desistido dela! Ele a amou, cuidou e salvou. Conhecendo aquilo que permanece, naquele dia escolheu viver com Ele até a último segundo de sua vida. Chorou e sofreu, mas nunca mais se sentiu sozinha e vazia. Continuou a busca-Lo e tornou-se Católica Apostólica Romana, hoje sonha que todos um dia sintam-se amados pelo mesmo Amor que a conquistou. Fala de Jesus com menos argumentos que testemunhos, costuma falar como o Amado que está sempre com ela. Atualmente assumiu junto com o Ministério Universidades Renovadas, da Renovação Carismática Católica, a missão de faze-Lo conhecido e amado, particularmente no meio universitário, sua atual realidade. Sonha em ser Testemunha de Cristo, como Igreja, por onde andar!

02
Mai
09

Metanóia

www.emmetanoia.com

Escrevendo a sua história…

fabrizio1

Fabrizio Zandonadi Catenassi, 24 anos, estudante de Teologia na PUC-PR, Campus Londrina. Gosta de ler, escrever, desenhar, atuar e de esportes (foi atleta de vôlei por 8 anos, desistiu por seus 1,72m). Fala inglês e atualmente se dedica à transição portunhol-espanhol. Na sua mesa de cabeceira sempre está seu computador, fotos de amigos. Vive mais na rua do que em casa. Forró é uma peculiaridade interessante. Cerveja é outra, se for bem amarga! Filho de família marcada pelo alcoolismo, já brigou bastante, passou fome, foi líder de grêmio estudantil e CA. Trabalhou como secretário, professor de aulas particulares, em cartório, imobiliária, lavanderia industrial. Incompletou o curso de psicologia e de educação física. Fez estágio em academia, empresa de recreação, árbitro, treinamento. Já foi sozinho e triste. Já acreditou que nada fosse mudar em sua vida. Já desejou muito a morte. Com 11 anos, sentia-se abandonado por todos. Quando queria ir embora do mundo, foi agarrado por Deus, que segurou bem forte. Encontraram-se em um grupo de oração da Igreja em 1996. Por várias vezes tentou sair dos braços do Pai, até entender que queria ficar perto dele. Correu de Deus, mas foi alcançado e conquistado. Havia escolhido a morte, mas Jesus já havia dado a vida por ele. Com 23 anos, decidiu largar sua carreira como pesquisador e sua bolsa de iniciação científica para estudar Teologia e dar a vida pelo Evangelho. Não é padre, mas anda por aí falando de seu amigo – Jesus, talvez um dia você cruze com ele. Vai perceber que é o Fabrizio se olhar bem no fundo dos olhos, bem em cima do sorriso de felicidade. E se ele tiver sem dinheiro. Quando o vir, dê um abraço forte nele, hoje ele gosta de ter amigos e os ama muito (e sente muita saudade quando não está perto!).

13
Fev
09

Relato de um dia comum


O extraordinário está no ordinário! A gente acaba esquecendo disso…
Acordei e me senti mal, o dia não rendeu nada! Fiz a matrícula para o próximo semestre, vi meu senso crítico quase se anular e eu ficar super conformada com tudo que ouvia. Lembrei do suicídio do menino da casa do estudante da UFRGS, que queria estar perto de Deus e por isso se jogou do décimo andar e fiquei chateada! Pensei que vai ser legal abrir o GOU (grupo de oração universitário) lá, mas duvidei quando pensei o quanto dessa realidade seria transformada.
Então fiz todas as coisas normais do dia sem a alegria da maioria dos dias… No fim da tarde eu estava na salinha lá do fundo da Catedral conversando com o Pe. Ricardo! Acabamos demorando e passando rapidamente pela minha própria história de vida. Ali estava o simples e extraordinário. Eu nunca quis conhecer Jesus, eu nunca quis estar numa igreja, eu nunca quis me declarar católica, eu só queria buscar a verdade nesse mundo para que eu vivesse em paz. Nessa busca encontrei Jesus, a Verdade! E como mudar anos e anos de convicção? Não parecia nada fácil mudar a minha vida… A minha história convergia para uma grande tempestade, muitos já tinham desistido de ver a minha conversão!
Mas hoje Ele me lembrou que Ele repreendeu o vento de disse ao mar: “silêncio!”
Um Deus imenso e simples…
Obrigada Senhor!
Tânia

04
Fev
09

O abraço

Jesus no Litoral

No primeiro dia do ano fomos às ruas de Capão da Canoa e anunciamos que Jesus é o Senhor!! Depois de dias de evangelização e tantos testemunhos acumulados, chegou o dia mais esperado. Nos primeiros dias que saímos à rua acabei ficando incomodada, pois algumas vezes tinha dispersão no nosso meio. Mas depois de muita oração e adoração havia mudado, saimos de forma séria, alegre e organizada! 200 jovens invadiram a rua e cantaram, oraram, pregaram para quem estivesse passando. Muitas vezes fiquei pensando o que eu faria caso encontrasse um colega, pensando na surpresa deles, dessa vez o que eu mais queria era encontrar alguém conhecido(não encontrei ngm não). A caminhada foi longa, foi um pouco intoxicante ficar por um tempo logo atrás do gerador e a voz começava a faltar depois de tantos dias, mas nada importou! Nossos olhos viram a Glória de Deus, mas como não poderia deixar de ser, Deus se mostrou também muito simples. E a parte que resolvi escrever é talvez a mais simples de todas. Depois de quase 1h chegamos até a beira da praia… Meus olhos fixaram-se em uma mulher (de uns 40 e poucos anos) e uma voz gritava: abraça!!! Fui até lá, abri os braços e sorri para ela! Algumas palavras e uma oração, uma das mais sinceras que já fiz (claro que não consigo me lembrar agora) e uns 10min depois eu voltava com a paz daqueles que fazem a vontade de Deus e podia sentir metade do meu cabelo molhado pelas lagrimas derramadas por alguém que acabava de conhecer Jesus (vivo).

http://blog.rccpr.com.br/jnlrs/testemunhos/

*Acabei não conseguindo escrever antes, mas vou tentar escrever sobre esse tempo que sumi.

17
Dez
08

Visita à vila do chocolatão – Relato

Hoje eu, a Carla e a Camila (amigonas apaixonadas por Cristo) fomos à vila do chocolatão. A idéia surgiu quando falávamos do modo como levamos Jesus às pessoas, e que às vezes nos limitamos numa evangelização meio que roteirizada e paramos de olhar em volta ou sonhar com outras formas de levar esse amor. Logo depois decidimos ir conhecer realidades novas para ter novas idéias, achar um objetivo e agir, a idéia inicial era uma viagem… Mas logo a Carla genialmente nos disse que em Porto Alegre mesmo tem muita coisa a se ver.

Uma professora(de psicologia) da Carla está pensando em desenvolver um projeto nessa vila e já tinha os contatos para entrar lá, foi assim que conseguimos essa visita. Entramos e fomos direto à “sede”, nos apresentamos e conversamos com o líder da comunidade(já não tem muita esperança de que alguma coisa mude por lá). Ele nos deu as informações básicas… Que ali moram em maioria catadores de lixo, grande maioria é ex-presidiário e às vezes alguns foragidos passam um tempo por ali. Por tudo isso ele não tem exatamente o número de moradores, mas que são aproximadamente 200 família e que a vila é divida em duas partes, uma mais organizada e outra em que nada funciona (a parte que visitamos). Nessa parte encontramos três banheiros, completamente destruídos, para todas as famílias e lixo. Tudo por lá é lixo… lixo é lixo, mas lixo também é o sustento…

Ficamos para ver o ensaio da encenação de natal que um estudante de artes cênicas da UFRGS, voluntário por lá, tem organizado. E em minutos me vi rodeada por crianças, e a minha dificuldade com elas não conseguiu ganhar espaço quando se deparou com a carência que cada uma delas carregava. O esforço pra conseguir ficar de mãos dadas, pra conseguir subir no colo e o olhar triste quando os braços estavam cansados e elas voltavam para o chão foram tomando lugar de qualquer pensamento que tenha chegado pré-estabelecido. E logo aquele pensamento que me disse no inicio “elas estão imundas” tinha desaparecido e ao mesmo tempo que eu tentava olhar pra quantas eu pudesse também tentava controla-las pra que eu pelo menos ficasse de pé e tinha uma grande vontade de chorar. Como elas poderiam se sentir tão felizes pela nossa presença? Não tínhamos presente, ou brincadeiras… até aquele momento estávamos isoladas de tudo, observando de fora aquele outro mundo.

Na espontaneidade das crianças algumas coisas iam ficando claras e nos chocando mais a cada minuto. A média de idade por ali era 6 anos e elas narravam a prisão de um conhecido, ou alguém que ficou doente ou morreu, ou algo relacionado a sexualidade(de diversas formas). Todas as reações delas eram com agressões, do mesmo modo que brincavam passavam a se agredir, estavam constantemente se defendendo de qualquer aproximação física (a não ser que fosse a nossa). Ouvir de uma menina de 6 anos que nenhum homem presta pq homem beija na boca e ela detesta todos eles, após tentarmos apaziguar a pequena briga dela com um menino da mesma idade dizendo: “vcs são amigos!” foi como um tapa.

Antes que ficasse escuro começamos a caminhar para fora da vila com as crianças que nos seguiam e pediam para ir junto. Quando conseguimos chegar até a rua, a hipótese de um trabalho psicológico foi adiada para quando se encontrar as necessidade mais básicas supridas. E vendo que toda a organização social que conhecemos não existe por lá, levamos alguns minutos até concluir que as primeiras coisas que podem ser feitas são as mais simples que poderíamos imaginar… Que se conseguíssemos que as crianças usassem sapatos, por exemplo, seria uma grande conquista que diminuiria a mortalidade.

Eu poderia juntar tudo e fazer uma análise das idéias sociais que já defendi e da visão atual, mas além de chato, com certeza nada seria tão simples e nem falaria tanto como apenas relatar o que vi e senti.

Ps.: Claro que eu não tive como tirar fotos

* blogmetanoia.blogspot.com esse é o Blog do Caio (um amigo que está morando aqui em POA).  Muito boa abordagem de alguns temas polêmicos.

Glossário: vila = favela (em Porto Alegre pelo menos)

Tânia

07
Dez
08

Em meio a tempestade

Em meio a tempestade o vento forte já impede que meus olhos alcancem o horizonte… Mas então Tu me dizes: Vire!  E de costas, procurando ver a Tua face posso avançar em meio a tempestade.

(Obrigada, Jesus!)
30
Nov
08

Espera

Eu poderia escrever muita coisa, muita coisa mesmo [se tivesse tempo também, é claro], mas no fim tudo que eu teria dito poderia se resumir nessa música:

Espera no Senhor
Mesmo quando a vida pedir de ti mais do que podes dar
E o cansaço já fizer teu passo vacilar

Espera no Senhor
Mesmo se a solidão teu peito machucar
E te der vontade de ir embora e tudo abandonar

Espera no Senhor
Há um Deus que te ama e ele tudo pode transformar
Seu amor te sustentará, espera n’Ele
E ele tudo fará, tudo fará

Espera no Senhor
Mesmo se o coração angustiado está
Por ver alguém que amas longe do Senhor andar

Espera no Senhor
Mesmo que suas promessas demorem a se cumprir
E a vontade dele seja sacrifício para ti ♪

Volto a viver normalmente em uma semana, ou menos… saudade amigos!

Tânia

19
Nov
08

Ser cristão

 

Voltei do ENJ, tenho tido pouco tempo e muita coisa tem acontecido, poderia testemunhar muia coisa linda e simples que tem acontecido na minha vida, mas hoje é mais importante para mim escrever essa partilha. Vejam o vídeo…

  “Em seguida, Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.
Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á.” Mateus 16,24-25Como isso cai em seu coração? Deus tem me perguntado isso há uma semana… Como responder? [Sim, confirmação com boa parte do que foi vivido no ENJ].Sim, sou apaixonada por Jesus. Sim, Jesus é tudo na minha vida. Sim, escolhi a vida por conhecê-lo.

Mas isso tem me feito pensar qual é o tamanho do meu SIM para Deus. Passo por tribulações e pequenas perseguições. Mas tenho uma família, sou sustentada por ela, moro em um bom apartamento, estudo numa das melhores universidades do país, nunca passei fome e durmo em uma cama quente e em segurança e ainda conheço um Deus que é amor. Poderia passar o resto da vida dando sequência a isso! Com certeza é um bom caminho, mas é o que Deus sonha pra mim? E se ele sonhasse que eu abrisse mão de muitas dessas coisas?

Ontem recebi um e-mail, de uma pessoa que não fala comigo há pelo menos 4 meses e dizia: “Tania, senti de te mandar esse vídeo. Ore!”. Entre outros toques em minha vida.

Conclusão: ainda não posso responder a pergunta com toda a sinceridade que ela deve ser respondida!

Um abração, Tânia.

 

08
Nov
08

Estou disposta ao que queiras…

Isaias 45,1-3

Isaías 45,1-3

 …

 

Nessa nova vida nossas lutas são constantes, encontramos no amor de Deus o sentido da vida e seguimos em paz, motivados a sermos novos a cada dia. Hoje(17/08/2008) a minha luta em particular é contra o meu orgulho, que muitas vezes me faz querer caminhar arrancando marcas do meu passado, amar a minha história e meu nada muitas vezes é muito difícil. Ainda que uma das coisas mais lindas que tenho percebido seja que o meu nada nas mãos de Deus é o melhor que eu poderia desejar de mim, ainda assim, muitas vezes a minha humanidade grita beeeem alto. Colocar as minhas vaidades abaixo da vontade de Deus é uma luta constante, querer um reconhecimento profissional, ter notas boas entre outras coisas muitas vezes me levam à questionamentos!  Mas tudo tem caminhado bem, tenho caminhado com muitas pessoas, realmente Deus tem me dado muito. Curas mais profundas, encaminhamentos muito retos e simples, mesmo que difíceis, e a certeza de que Ele está no controle.

Abri esse arquivo que eu enviei como partilha para uma amiga em 17/08/2008. Alguns meses se passaram e a principal luta ainda é por ter meu nada nas mãos de Deus!

Tudo isso entra no que vivi ontem (07/11/2008). Programei meu dia lembrando da reunião do MUR no final da tarde. Com uma ligação às 17h e com a reunião que foi das 19h às 21h minha vida mudou ainda mais, Deus me escolheu para cuidar do MUR aqui em Porto Alegre no próximo ano. E ao mesmo tempo em que a minha humanidade gritava muito alto meu coração era inundado pela paz que me confirmava a vontade de Deus. (Aí que entra a parte do estou disposta ao que queiras).

Eis o meu nada… (é o que me resta)

Ps.: por pouco tempo e por não saber mais o que falar sobre isso, é só.

Tânia

 

01
Nov
08

Como tudo começou…

Porque escolhi seguir Jesus… 

Desde muito cedo eu tive questionamentos existenciais. Minha infância foi marcada por pais atenciosos, estabilidade financeira e muitas dúvidas sobre a existência, sobre mim e sobre as pessoas, tudo acompanhado de timidez. Crescendo mais um pouco, voltei minha atenção pra diversas coisas, tudo aquilo que todos fazem e se sentem felizes. Assim foi por muito tempo, vivi bons momentos com amigos, bons momentos no teatro, bons momentos em viagens com a família, boas notas na escola… Com ainda mais questionamentos entrei na adolescência, vivi bons momentos com os amigos, dificuldades de todos os tipos na família, bons momentos em namoros, dificuldades em namoros, más notas na escola, muitas experiências novas, mudanças, novas escolhas…

     E vivi por 19 anos, buscando a felicidade em momentos que sempre passavam e a levavam junto, mas sempre na esperança de encontrar o que permaneceria. Inclusive cheguei a pensar que aos 19 anos eu poderia ter experiência suficiente para concluir que a felicidade não existia! Minha vida havia me proporcionado conviver com pessoas muito diferentes, com diversas realidades, diversas ideologias… E tudo era feito de momentos, que obviamente passavam.

A partir de março de 2007 eu estava morando em Porto Alegre, fazendo cursinho, dormindo muito, estudando a nível de cursinho(já que pelas notas anteriores eu tinha praticamente certeza de que passaria na universidade que eu queria), visitando exposições, indo ao cinema muitas vezes por semana, saindo bastante com os amigos, viajando bastante para casa, sendo sustentada pela família, e tendo muito tempo para me encontrar comigo. Tudo isso contribui para que eu olhasse para minha vida e percebesse que muitos gostariam de viver essa “tranqüilidade” ou “vida boa” que eu estava vivendo. Logo veio a culpa de “ter tudo” e sentir como se não tivesse nada. O medo de tudo era constante ao constatar que tudo poderia ser relativo e que os anos levariam o presente, levariam tudo, como sempre levaram… Me encontrei com o vazio, o famoso vazio existencial, sobre o qual eu já havia desenvolvido diversas teorias, explicações e tudo mais. E o pior é que agora ele estava acima da minha razão (coisa que eu não poderia admitir) já que eu ”não tinha o direito de reclamar da vida”. O quanto é mais difícil lidar com os sentimentos do que com os fatos! Passei por um tempo de crise, de pensamentos inquietos, de noites em que a insônia me enlouquecia… Mas nada que alguém além do namorado e de uma amiga que me viam diariamente pudessem perceber! Por fora tudo continuava igual, por dentro eu ia desistindo diariamente de viver. A melhor festa me angustiava, os melhores amigos não me preenchiam…

     Sempre gostei de decisões, depois de uma busca determinada por preencher esse buraco no meu peito que não chegou a conclusão alguma, era hora de tomar uma: me matar! Comecei então a pensar em uma forma simples e tranqüila de fazer isso, inclusive resolvi visitar umas primas em Curitiba antes.

      Cheguei em Curitiba na sexta de tarde, na sexta de noite eu estava em um retiro chamado Encontro com Deus. Eu, que nunca tinha ido em um retiro, estava num lugar afastado, com pessoas que eu nunca tinha visto antes, ouvindo falar de um jeito que eu não conhecia sobre coisas que eu achava que já sabia. Ouvi falar que Jesus (que eu tinha ouvido falar um pouco sobre o que fez em vida, já que minha família é praticante do espiritismo) havia me salvado e por isso eu era livre! Que Deus (que eu sabia que existia, já que nunca me fez sentido que tudo que vemos no mundo fosse obra humana e que deveria existir “uma força” cuidando de tudo aquilo que a ciência já descobriu até hoje) me amava! Eu poderia entender que Deus me criou, mas me amar, também não precisava. Enfim, fui dormir pensando: quanta gente imbecil! Mas eu tinha que admitir que a paz de estar lá era grande, e como momentos de paz na minha vida foram quase inexistentes, valia a pena viver esses dias lá e no fim eu até poderia fazer uma boa análise do comportamento das pessoas que estavam lá.

      Chegou o sábado a tarde, e num momento simples e pessoal o Deus que disseram que me amava derramou Seu amor sobre mim! Uma experiência, que por ser experiência não pode ser transcrita para esse texto. Mas posso dizer que muita coisa fez sentido, que tudo aquilo que ouvi e não entendi estava agora acima da minha razão ou entendimento, e era fato! Realmente existe um Deus vivo hoje que me ama! A paz tomava conta de mim e essa paz me dava coragem para viver, ainda que tudo pudesse ser como antes.

Sai daquele retiro sem saber o que seria de mim, sem saber o que eu pensava ou não, o que era velho ou novo em mim, mas eu havia decidido que viveria enquanto eu pudesse encontrar esse Deus vivo que se faz tão simples em cada oração e em cada detalhe da minha vida!

Não posso escrever o final da história, pois tudo sempre estará sendo construído…

      O que posso falar sobre o hoje é que esse amor me sustenta e não me falta! Ainda que o mundo pareça cair sobre mim, eu nunca mais senti 1/10 daquela angustia que me acompanhava nos melhores momentos que eu já tinha vivido. Que as certezas continuam poucas, mas as poucas me bastam. Que enquanto eu viver quero caminhar com esse Jesus que um dia me conquistou e que quis cuidar de mim e me ensinar a viver. “Nem tribulações nem dor podem nós separar, jamais irão romper o que o amor selou…” 
(05/10/2008)