Porque escolhi seguir Jesus…
Desde muito cedo eu tive questionamentos existenciais. Minha infância foi marcada por pais atenciosos, estabilidade financeira e muitas dúvidas sobre a existência, sobre mim e sobre as pessoas, tudo acompanhado de timidez. Crescendo mais um pouco, voltei minha atenção pra diversas coisas, tudo aquilo que todos fazem e se sentem felizes. Assim foi por muito tempo, vivi bons momentos com amigos, bons momentos no teatro, bons momentos em viagens com a família, boas notas na escola… Com ainda mais questionamentos entrei na adolescência, vivi bons momentos com os amigos, dificuldades de todos os tipos na família, bons momentos em namoros, dificuldades em namoros, más notas na escola, muitas experiências novas, mudanças, novas escolhas…
E vivi por 19 anos, buscando a felicidade em momentos que sempre passavam e a levavam junto, mas sempre na esperança de encontrar o que permaneceria. Inclusive cheguei a pensar que aos 19 anos eu poderia ter experiência suficiente para concluir que a felicidade não existia! Minha vida havia me proporcionado conviver com pessoas muito diferentes, com diversas realidades, diversas ideologias… E tudo era feito de momentos, que obviamente passavam.
A partir de março de 2007 eu estava morando em Porto Alegre, fazendo cursinho, dormindo muito, estudando a nível de cursinho(já que pelas notas anteriores eu tinha praticamente certeza de que passaria na universidade que eu queria), visitando exposições, indo ao cinema muitas vezes por semana, saindo bastante com os amigos, viajando bastante para casa, sendo sustentada pela família, e tendo muito tempo para me encontrar comigo. Tudo isso contribui para que eu olhasse para minha vida e percebesse que muitos gostariam de viver essa “tranqüilidade” ou “vida boa” que eu estava vivendo. Logo veio a culpa de “ter tudo” e sentir como se não tivesse nada. O medo de tudo era constante ao constatar que tudo poderia ser relativo e que os anos levariam o presente, levariam tudo, como sempre levaram… Me encontrei com o vazio, o famoso vazio existencial, sobre o qual eu já havia desenvolvido diversas teorias, explicações e tudo mais. E o pior é que agora ele estava acima da minha razão (coisa que eu não poderia admitir) já que eu ”não tinha o direito de reclamar da vida”. O quanto é mais difícil lidar com os sentimentos do que com os fatos! Passei por um tempo de crise, de pensamentos inquietos, de noites em que a insônia me enlouquecia… Mas nada que alguém além do namorado e de uma amiga que me viam diariamente pudessem perceber! Por fora tudo continuava igual, por dentro eu ia desistindo diariamente de viver. A melhor festa me angustiava, os melhores amigos não me preenchiam…
Sempre gostei de decisões, depois de uma busca determinada por preencher esse buraco no meu peito que não chegou a conclusão alguma, era hora de tomar uma: me matar! Comecei então a pensar em uma forma simples e tranqüila de fazer isso, inclusive resolvi visitar umas primas em Curitiba antes.
Cheguei em Curitiba na sexta de tarde, na sexta de noite eu estava em um retiro chamado Encontro com Deus. Eu, que nunca tinha ido em um retiro, estava num lugar afastado, com pessoas que eu nunca tinha visto antes, ouvindo falar de um jeito que eu não conhecia sobre coisas que eu achava que já sabia. Ouvi falar que Jesus (que eu tinha ouvido falar um pouco sobre o que fez em vida, já que minha família é praticante do espiritismo) havia me salvado e por isso eu era livre! Que Deus (que eu sabia que existia, já que nunca me fez sentido que tudo que vemos no mundo fosse obra humana e que deveria existir “uma força” cuidando de tudo aquilo que a ciência já descobriu até hoje) me amava! Eu poderia entender que Deus me criou, mas me amar, também não precisava. Enfim, fui dormir pensando: quanta gente imbecil! Mas eu tinha que admitir que a paz de estar lá era grande, e como momentos de paz na minha vida foram quase inexistentes, valia a pena viver esses dias lá e no fim eu até poderia fazer uma boa análise do comportamento das pessoas que estavam lá.
Chegou o sábado a tarde, e num momento simples e pessoal o Deus que disseram que me amava derramou Seu amor sobre mim! Uma experiência, que por ser experiência não pode ser transcrita para esse texto. Mas posso dizer que muita coisa fez sentido, que tudo aquilo que ouvi e não entendi estava agora acima da minha razão ou entendimento, e era fato! Realmente existe um Deus vivo hoje que me ama! A paz tomava conta de mim e essa paz me dava coragem para viver, ainda que tudo pudesse ser como antes.
Sai daquele retiro sem saber o que seria de mim, sem saber o que eu pensava ou não, o que era velho ou novo em mim, mas eu havia decidido que viveria enquanto eu pudesse encontrar esse Deus vivo que se faz tão simples em cada oração e em cada detalhe da minha vida!
Não posso escrever o final da história, pois tudo sempre estará sendo construído…
O que posso falar sobre o hoje é que esse amor me sustenta e não me falta! Ainda que o mundo pareça cair sobre mim, eu nunca mais senti 1/10 daquela angustia que me acompanhava nos melhores momentos que eu já tinha vivido. Que as certezas continuam poucas, mas as poucas me bastam. Que enquanto eu viver quero caminhar com esse Jesus que um dia me conquistou e que quis cuidar de mim e me ensinar a viver. “Nem tribulações nem dor podem nós separar, jamais irão romper o que o amor selou…”
(05/10/2008)